terça-feira, 27 de julho de 2010

Da Religião.

Boa noite.

Em meu último texto, publicado aqui na semana passada, falei sobre a fé. Foi interessante notar como o assunto é polêmico, mesmo quando tentamos excluir o aspecto religioso e sistematizado de tal tema. Foram várias as conversas que tive com diversas pessoas sobre o assunto, depois do texto, e gostei de ouvir as diferentes opiniões sobre a fé. Claro que, além disso, gostei ver que meu blog tem leitores...

Hoje, porém, meu objetivo é o inverso. Não quero excluir o lado formal da fé, dessa vez. Quero falar justamente dele. Aliás, já postei aqui semana passada com essa idéia na cabeça. E então voltei hoje para falar das religiões.

Novamente gostaria de ressaltar que não estou aqui para fazer marketing religioso ou algo do tipo. Quero deixar claro que tenho minha fé e procuro respeitar as crenças alheias, então os exemplos que podem - ou não - aparecer aqui não devem ser entendidos como uma crítica à religião específica, mas sim às religiões em geral quando desviadas do seu verdadeiro propósito.

Dito isso, inicio meu texto.

Conforme visto na postagem anterior, a conduta humana é amplamente influenciada pela fé. Nesse caso, a pessoa age de acordo com o que ela acredita, para que não contrarie suas próprias crenças. Até aí, tudo bem, já que cada um acredita no que quer. Se um grupo de indivíduos acredita em algo semelhante, sistematizando o conhecimento, não existe problema, afinal não tem nada de errado em ter opiniões parecidas. A religião, então, é ainda positiva, não causando mal algum.

O problema começa quando um grupo de pessoas resolve impor sua fé a outro, principalmente de forma violenta e cega.

É mesmo curioso que as pessoas cheguem a tal nível de fanatismo. Ora, se a religião é criada em primeiro momento para que os homens obtenham respostas e vivam em paz, então não faz sentido que aconteçam "guerras santas", como as que ocorreram em diversos períodos da História, se prolongando até a atualidade. Tais guerras, motivadas pela intolerância e vaidade de um grupo que se julga superior a outro, só servem para gerar mais ódio, piorando a situação.

É incrível como a religião pode ser motivo de tanta discórdia. Se abrirmos o Corão, livro sagrado dos muçulmanos, encontramos belas lições de solidariedade, assim como na Tora dos judeus ou na Bíblia cristã. Desta forma, não nos resta alternativa a não ser admitir os conflitos religiosos como fruto da vaidade e, por que não, da ganância humana.

E é justamente aí que entra a manipulação. Enquanto a massa de um país for dominada por um grupo de fanáticos, existirão atentados e assassinatos em nome de Deus. Enquanto um povo for vítima de uma lavagem cerebral que faz com que as pessoas acreditem que a fé vale dinheiro, existirão aqueles que enriquecerão em nome de Deus.

Reitero aqui que não sou contra a religião em si. Também tenho minha fé, como disse, e não é por isso que me sinto no direito de considerar outras crenças como inferiores ou de tentar fazer com que acreditem no mesmo que eu. Sou contra a manipulação religiosa, visando a dominação e o lucro de alguns em função da fé e inocência de outros, porque alguém que prega a salvação pela morte dos seus iguais ou pela compra de lotes no céu simplesmente não pode ser levado a sério.

6 comentários:

Marcos Carvalho disse...

Daniel, cada vez seus textos são melhores, ainda mais sobre esse tema que discutimos tanto ao longo desse último semestre. Aqui deixo meu comentário: a religião só será pura quando o homem não mais existir, onde quer que exista a mão maldita do homem haverá corrupção! Os poucos que se destacam por ser verdadeiramente bons são julgados e condenados por não seguir a tendência do que em tese é certo ( na cabeça de algum louco claro). A religião eu já não tenho e tenho impressão de que nunca vou ter, mas o que me preocupa realmente, é que com tudo que vejo, estou perdendo a fé no homem! Cada dia que passa, a cada notícia ruim uma frase faz cada vez mais sentido na vida : O HOMEM É O LOBO DO HOMEM!

Bem esse foi só um desabafo de um amigo...continue a escrever a verdade tem que ser dita...

abraços

Anônimo disse...

Muitas vezes as necessidades das pessoas fazem com que elas fiquem tão desmotivadas frente sua própria vida que acabam se apegando de forma cega, como você disse, à religião. Porém, na maioria das vezes também, não são as pessoas necessitadas que procuram esse tipo de crença, de religião, os grupos religiosos aproveitam dessa necessidade e acabam por manipular uma grande massa. Respeito também toda e qualquer religião, mas dizer que concordo, é outra história. Acho que o ser humano, por menos instruído que seja, tem a capacidade sim de enxergar até que ponto essa crença faz bem e até que ponto isso partiu de crença para manipulação. O próprio nome já diz: CRENÇA, é pra acreditar, é pra buscar, pra se apoiar e achar um caminho melhor, em nenhum momento o ACREDITAR envolve DINHEIRO e MANIPULAÇÃO em sua conjuntura.

Marcus disse...

Ironicamente, hoje à noite "ressuscitei" o Datena (José Luiz Datena), cujo estilo jornalístico todo mundo conhece. Se tombar a tv, cai sangue...
Ele fez uma enquete e exigiu que se mantivesse no rodapé da tela: "VOCÊ ACREDITA EM DEUS?". Quando o "placar" das ligações marcava + - 1200 x 330 "a favor de Deus", o homem começou a pregação. E não parou enquanto não atingiu a marca de 30 mil crentes. Continuou, esbanjando em seu discurso a "maldição abominável" que é ser ateu.
Lembrei de Urbano II, Papa que conclamou os cristãos a (SIC) "abandonar as guerras internas e empreender uma guerra santa" rumo ao Oriente contra os "infiéis". As Cruzadas (8 oficiais e 2 não-oficiais) foram contra muçulmanos, judeus, ciganos e cristãos ortodoxos (que outrora seriam aliados). Aos brados "datenísticos" de "Deus o Quer", uma das cruzadas não-oficiais foi a das crianças -- mais de 20 mil iriam lutar, por sua pureza... Mas acabaram VENDIDAS no norte da África, como escravas.
...
Tem gente que, principalmente numa situação extrema, procura a luz. Mas, lembremo-nos: luz demais também cega.

(Interessante quando o sr. não joga no lixo o que escreve, caro Andrade).

;)

Simone disse...

Muito Bom, Dani.
Acredito que enquanto a religião "mascarar" a fé verdadeira é bem provável que povos cegos,movidos pela crença exagerada...cheguem ao extermínio.

Beijo.

Angélica Albuquerque disse...

não acredito que a religião tenho surgido serene, como a fé!
acredito eu, que aquele homem, que notou que a fé poderia ser canalizada e ele já sabia que poderia exercer poder sobre as pessoas.
Talvez ele não soubesse que o poder seria tamanho, mas já se pensava em um poder!

Gabby disse...

Concordo plenamente.
COMO entender que algo que deveria ser santo, pregar a solidariedade e o trabalho em conjunto para um bem maior transforme-se em guerra e destrua justamente aqueles a quem deveria proteger?

É um absurdo. Mas enquanto houver inocentes (ignorantes, se preferir), os "poderosos" tomarão o controle, seja isso na política, na mídia, na religião...

Sad, but true. :/