domingo, 31 de maio de 2009

Do Preço.

Boa noite.

Realmente, depois do que acabei de ver, seria difícil deixar de usar do Daily Howl, nem que seja para escrever umas poucas linhas.

Há alguns minutos, no Fantástico, passou uma matéria sobre a venda de seres humanos em Portel, no Pará. Indo um pouco mais a fundo, a venda de meninas. Até aí, nenhuma novidade, infelizmente. A venda de seres humanos não é nenhum empreendimento inovador, e isso é bastante óbvio se notarmos as páginas da história que são manchadas pela Escravidão.

Mas a parte chocante é o comerciante, neste caso específico.
A mocinha foi vendida pela pessoa por quem ela devia ser mais protegida, a pessoa pela qual ela devia sentir mais confiança.
A mãe.

Pelo dicionário, a "geradora", a "pessoa que exerce a maternidade" e, principalmente, a "pessoa que zela por seu(s) filhote(s)".

Como se não fosse absurdo o suficiente vender a própria filha, vem outro choque.
O preço. Para aquela mãe, a filha vale R$ 500 e um número de telefone que ela possa ligar.
Uma pechincha, não é?

Que nada! O preço que a mesma "mãe" cobra por um programa com a moça que é uma pechincha. Em palavras dela, "deixa quatro cervejas aí".
Seria cômico se não fosse trágico. Aliás, é mais que trágico, é vergonhoso.

E, obviamente, a desculpa é sempre a mesma. A pobreza é a justificativa número 1. Ou então, a "cultura" que está enraizada na região.
"As pessoas se acostumaram com essa cultura... Acham que é normal."

Mas até onde isso pode ser aceito como justificativa?

Ora, é só usar a lógica.
Se as pessoas se "acostumaram" com essa "cultura", é porque algum dia isso não foi normal, e alguém deu o primeiro passo. Com isso, outros viram uma solução, e já que todos faziam, o sentimento de culpa era naturalmente aplacado.

O problema realmente é a cultura. Mas não a cultura falsa do novo comércio sujo que surgiu.

O problema é a cultura de deixar as coisas para depois. De achar que está tudo bem.
Se os primeiros responsáveis por este problema tivessem sido devidamente punidos, provavelmente não haveria essa "cultura" nojenta para se acostumar.

Assim, mais uma vez o ser humano mostra até onde é capaz de descer no abismo da crueldade.
E somos obrigados a concordar, neste caso, com Dan Brown.
"So dark is the con of Men".