Boa noite!
Não demorei tanto para voltar aqui dessa vez, e eu gostaria muito de falar que isso já é um progresso, mas são tantas as vezes que já falei a mesma coisa que prefiro ver no que vai dar.
Meu texto hoje é um pouco diferente, como o título sugere. Quero propor um retrato - superficial, admito - típico de uma cidade brasileira, e fazer alguns comentários breves sobre ele. Vejamos se vai dar certo.
Gostaria de saber o que acontece com o mundo. Talvez falando "com o mundo" fique um pouco pretensioso, eu sei. Fiquemos restritos ao Brasil. Não que isso seja muito difícil, é claro, já que o povo brasileiro tem o costume - não muito saudável - de se restringir.
Sejamos sinceros. Duvido muito que alguém esteja realmente feliz com a situação social, política e jurídica do nosso país. Vemos miséria numa esquina, tropeçamos num cadáver na próxima e somos por fim assaltados pelo criminoso, que deveria estar na prisão por homicídio, mas que foi solto quando não merecia a liberdade. Não acabou, e é mesmo penoso pensar assim.
Sobrevivendo a este aperitivo exposto acima, começamos a passear pela cidade, um tanto assustados, é verdade, e pensando em como conseguir mudar algo. Mas pensar é difícil! Não é possível arranjar concentração, e o motivo é óbvio. Logo ali à frente, uma família paupérrima passa fome, escondida sob um viaduto (completamente pichado, é claro). Acrescente-se à fome aquela chuva que caiu hoje e o fato de o viaduto estar alagado até quase a metade, o filho mais velho estar desaparecido há duas semanas, quando foi visto entrando em um carro perto da Nova Luz, a filha do meio, ainda pequena, estar passando pela infância sozinha e sem alfabetização, e o filhinho de colo, nascido por volta do dia que o outro sumiu, estar ardendo em febre depois de nascer na rua, sem condições de ser atendido nem mesmo por hospitais da rede pública.
É suficiente para a concentração em qualquer pensamento se perder? Claro que é. Até para ler fica difícil! Mas não acabou. Olhando para o lado oposto da avenida, ainda sob o viaduto, vemos um grupo de jovens num carro novo. Eles param. Descem. Estão sorridentes, e aparentemente um pouco fora de si. Talvez não só um pouco, já que começam a agredir o carroceiro que dormia daquele lado. Depois da covardia, vão embora.
Parece mentira, é como se fosse só uma história inventada. E essa realmente é. Ocorre que coisas assim acontecem todos os dias nas cidades do nosso país. Todos os dias morrem seres humanos nas mãos de outros seres humanos. Ricos, pobres, velhos, jovens, não importa quem está em qual papel. Um é o agressor, o outro a vítima.
E isso não basta. A fome é também um problema real e atual no nosso país. Assim como a saúde e a impunidade. E a desculpa? Simples:
"FALTA DINHEIRO! FALTA RECURSOS!"
E sabem de uma coisa? Falta mesmo! Mas não falta porque não entra dinheiro nos cofres públicos. Falta é por culpa de uma corja de políticos corruptos que são eleitos, eleição após eleição. Por causa dessa gente que fecha os olhos para a miséria de crianças morrendo de fome, para poder encher o bolso com dinheiro público. E mais que tudo, por causa desse bando de manipuladores, que deixa a massa ignorante e cega para ser melhor controlada, e assim manter-se no poder.
É por isso, (e)leitores, que o retrato da nossa terra e nossa gente é tão doloroso de se contemplar. E é por isso, também, que é tão revoltante e perigoso o silêncio dos bons.
sábado, 27 de novembro de 2010
terça-feira, 27 de julho de 2010
Da Religião.
Boa noite.
Em meu último texto, publicado aqui na semana passada, falei sobre a fé. Foi interessante notar como o assunto é polêmico, mesmo quando tentamos excluir o aspecto religioso e sistematizado de tal tema. Foram várias as conversas que tive com diversas pessoas sobre o assunto, depois do texto, e gostei de ouvir as diferentes opiniões sobre a fé. Claro que, além disso, gostei ver que meu blog tem leitores...
Hoje, porém, meu objetivo é o inverso. Não quero excluir o lado formal da fé, dessa vez. Quero falar justamente dele. Aliás, já postei aqui semana passada com essa idéia na cabeça. E então voltei hoje para falar das religiões.
Novamente gostaria de ressaltar que não estou aqui para fazer marketing religioso ou algo do tipo. Quero deixar claro que tenho minha fé e procuro respeitar as crenças alheias, então os exemplos que podem - ou não - aparecer aqui não devem ser entendidos como uma crítica à religião específica, mas sim às religiões em geral quando desviadas do seu verdadeiro propósito.
Dito isso, inicio meu texto.
Conforme visto na postagem anterior, a conduta humana é amplamente influenciada pela fé. Nesse caso, a pessoa age de acordo com o que ela acredita, para que não contrarie suas próprias crenças. Até aí, tudo bem, já que cada um acredita no que quer. Se um grupo de indivíduos acredita em algo semelhante, sistematizando o conhecimento, não existe problema, afinal não tem nada de errado em ter opiniões parecidas. A religião, então, é ainda positiva, não causando mal algum.
O problema começa quando um grupo de pessoas resolve impor sua fé a outro, principalmente de forma violenta e cega.
É mesmo curioso que as pessoas cheguem a tal nível de fanatismo. Ora, se a religião é criada em primeiro momento para que os homens obtenham respostas e vivam em paz, então não faz sentido que aconteçam "guerras santas", como as que ocorreram em diversos períodos da História, se prolongando até a atualidade. Tais guerras, motivadas pela intolerância e vaidade de um grupo que se julga superior a outro, só servem para gerar mais ódio, piorando a situação.
É incrível como a religião pode ser motivo de tanta discórdia. Se abrirmos o Corão, livro sagrado dos muçulmanos, encontramos belas lições de solidariedade, assim como na Tora dos judeus ou na Bíblia cristã. Desta forma, não nos resta alternativa a não ser admitir os conflitos religiosos como fruto da vaidade e, por que não, da ganância humana.
E é justamente aí que entra a manipulação. Enquanto a massa de um país for dominada por um grupo de fanáticos, existirão atentados e assassinatos em nome de Deus. Enquanto um povo for vítima de uma lavagem cerebral que faz com que as pessoas acreditem que a fé vale dinheiro, existirão aqueles que enriquecerão em nome de Deus.
Reitero aqui que não sou contra a religião em si. Também tenho minha fé, como disse, e não é por isso que me sinto no direito de considerar outras crenças como inferiores ou de tentar fazer com que acreditem no mesmo que eu. Sou contra a manipulação religiosa, visando a dominação e o lucro de alguns em função da fé e inocência de outros, porque alguém que prega a salvação pela morte dos seus iguais ou pela compra de lotes no céu simplesmente não pode ser levado a sério.
Em meu último texto, publicado aqui na semana passada, falei sobre a fé. Foi interessante notar como o assunto é polêmico, mesmo quando tentamos excluir o aspecto religioso e sistematizado de tal tema. Foram várias as conversas que tive com diversas pessoas sobre o assunto, depois do texto, e gostei de ouvir as diferentes opiniões sobre a fé. Claro que, além disso, gostei ver que meu blog tem leitores...
Hoje, porém, meu objetivo é o inverso. Não quero excluir o lado formal da fé, dessa vez. Quero falar justamente dele. Aliás, já postei aqui semana passada com essa idéia na cabeça. E então voltei hoje para falar das religiões.
Novamente gostaria de ressaltar que não estou aqui para fazer marketing religioso ou algo do tipo. Quero deixar claro que tenho minha fé e procuro respeitar as crenças alheias, então os exemplos que podem - ou não - aparecer aqui não devem ser entendidos como uma crítica à religião específica, mas sim às religiões em geral quando desviadas do seu verdadeiro propósito.
Dito isso, inicio meu texto.
Conforme visto na postagem anterior, a conduta humana é amplamente influenciada pela fé. Nesse caso, a pessoa age de acordo com o que ela acredita, para que não contrarie suas próprias crenças. Até aí, tudo bem, já que cada um acredita no que quer. Se um grupo de indivíduos acredita em algo semelhante, sistematizando o conhecimento, não existe problema, afinal não tem nada de errado em ter opiniões parecidas. A religião, então, é ainda positiva, não causando mal algum.
O problema começa quando um grupo de pessoas resolve impor sua fé a outro, principalmente de forma violenta e cega.
É mesmo curioso que as pessoas cheguem a tal nível de fanatismo. Ora, se a religião é criada em primeiro momento para que os homens obtenham respostas e vivam em paz, então não faz sentido que aconteçam "guerras santas", como as que ocorreram em diversos períodos da História, se prolongando até a atualidade. Tais guerras, motivadas pela intolerância e vaidade de um grupo que se julga superior a outro, só servem para gerar mais ódio, piorando a situação.
É incrível como a religião pode ser motivo de tanta discórdia. Se abrirmos o Corão, livro sagrado dos muçulmanos, encontramos belas lições de solidariedade, assim como na Tora dos judeus ou na Bíblia cristã. Desta forma, não nos resta alternativa a não ser admitir os conflitos religiosos como fruto da vaidade e, por que não, da ganância humana.
E é justamente aí que entra a manipulação. Enquanto a massa de um país for dominada por um grupo de fanáticos, existirão atentados e assassinatos em nome de Deus. Enquanto um povo for vítima de uma lavagem cerebral que faz com que as pessoas acreditem que a fé vale dinheiro, existirão aqueles que enriquecerão em nome de Deus.
Reitero aqui que não sou contra a religião em si. Também tenho minha fé, como disse, e não é por isso que me sinto no direito de considerar outras crenças como inferiores ou de tentar fazer com que acreditem no mesmo que eu. Sou contra a manipulação religiosa, visando a dominação e o lucro de alguns em função da fé e inocência de outros, porque alguém que prega a salvação pela morte dos seus iguais ou pela compra de lotes no céu simplesmente não pode ser levado a sério.
quarta-feira, 21 de julho de 2010
Da Fé.
Boa noite!
Tenho pensado já há algum tempo sobre um assunto para escrever aqui, e foi então que lembrei de uma discussão que tive uma vez sobre a importância da fé. Gostaria de deixar claro em primeiro lugar que meu texto não se trata de uma crítica a qualquer religião, muito menos de marketing religioso. Pelo contrário, falo da fé em geral, daquela fé genuína e do seu impacto na sociedade.
Dizer que as crenças não tem uma influência no modo de agir das pessoas é, antes de tudo, um desrespeito à própria História. É só olhar para trás e ver quantos absurdos foram cometidos em nome de Deus, seja ele de qualquer religião. Pensando nisso, logo as pessoas se lembram da "Santa" Inquisição.
É importante ter em mente, entretanto, que não foi só a Igreja que cometeu absurdos. Há milhares de anos, antes do surgimento do Cristianismo, já existiam os sacrifícios em nome da fé. Já existiam as perseguições religiosas, as guerras santas e toda essa luta sacra.
Tendo isso em vista, é fácil perceber o quanto a conduta humana é guiada - e muitas vezes manipulada - pelas idéias religiosas. Ora, é só notar a influência da religião nas nossas leis, principalmente no que tange o Direito de Família. Indo mais longe, pode-se perceber a influência das crenças até mesmo nas decisões judiciais. Ou será que um juiz muçulmado pensaria da mesma maneira que um juiz judeu? A dificuldade está em dizer até onde nosso Estado é realmente laico. Até onde a liberdade de expressão religiosa realmente liberta a sociedade das idéias de uma religião dominante.
Não que essa influência seja completamente ruim. Sinceramente penso que existe um lado muito positivo nisso tudo, que é o lado da fé verdadeira. Da fé que leva as pessoas a agir de acordo com os valores morais, com a ética. Aquela fé que faz com que os membros de uma sociedade deixem um pouco da sua individualidade de lado para dar lugar ao bem comum e à solidariedade.
Enquanto a fé estiver mantendo os indivíduos afastados de condutas individualistas, desonestas e antiéticas, ela tem sentido. Longe disso, é pura hipocrisia.
Soa radical? Uma pena.
Tenho pensado já há algum tempo sobre um assunto para escrever aqui, e foi então que lembrei de uma discussão que tive uma vez sobre a importância da fé. Gostaria de deixar claro em primeiro lugar que meu texto não se trata de uma crítica a qualquer religião, muito menos de marketing religioso. Pelo contrário, falo da fé em geral, daquela fé genuína e do seu impacto na sociedade.
Dizer que as crenças não tem uma influência no modo de agir das pessoas é, antes de tudo, um desrespeito à própria História. É só olhar para trás e ver quantos absurdos foram cometidos em nome de Deus, seja ele de qualquer religião. Pensando nisso, logo as pessoas se lembram da "Santa" Inquisição.
É importante ter em mente, entretanto, que não foi só a Igreja que cometeu absurdos. Há milhares de anos, antes do surgimento do Cristianismo, já existiam os sacrifícios em nome da fé. Já existiam as perseguições religiosas, as guerras santas e toda essa luta sacra.
Tendo isso em vista, é fácil perceber o quanto a conduta humana é guiada - e muitas vezes manipulada - pelas idéias religiosas. Ora, é só notar a influência da religião nas nossas leis, principalmente no que tange o Direito de Família. Indo mais longe, pode-se perceber a influência das crenças até mesmo nas decisões judiciais. Ou será que um juiz muçulmado pensaria da mesma maneira que um juiz judeu? A dificuldade está em dizer até onde nosso Estado é realmente laico. Até onde a liberdade de expressão religiosa realmente liberta a sociedade das idéias de uma religião dominante.
Não que essa influência seja completamente ruim. Sinceramente penso que existe um lado muito positivo nisso tudo, que é o lado da fé verdadeira. Da fé que leva as pessoas a agir de acordo com os valores morais, com a ética. Aquela fé que faz com que os membros de uma sociedade deixem um pouco da sua individualidade de lado para dar lugar ao bem comum e à solidariedade.
Enquanto a fé estiver mantendo os indivíduos afastados de condutas individualistas, desonestas e antiéticas, ela tem sentido. Longe disso, é pura hipocrisia.
Soa radical? Uma pena.
quarta-feira, 16 de junho de 2010
Da Mídia.
Boa noite!
Voltei rápido, dessa vez. Quem sabe agora eu crio vergonha na cara e começo a escrever mais... Com as férias,fica mais fácil, eu acho.
Em todo caso, eu nem ia escrever agora. Na verdade, acabei de reclamar que estava sem idéia nenhuma. E foi aí que me eu percebi que estava com um assunto na minha cara o tempo todo e não tinha nem notado.
A mídia é algo que está na cara de todo mundo, na verdade. Onde quer que andemos, somos bombardeados por informações - úteis ou não - sobre as mais variadas coisas. Muitas vezes, talvez até a maioria, são coisas sem importância relevante para a sociedade. Assuntos destinados a fazer com que as pessoas fechem os olhos e vivam num mundinho pequeno, feito de ilusões. Um verdadeiro conto de fadas.
Como já diziam os Beatles:
"Living is easy with eyes closed. Misunderstanding all you see."
Com efeito, é muito fácil viver de olhos fechados, preferindo não entender a realidade da vida. E é aí que deveria surgir a mídia. Ela deveria ser justamente a ferramenta feita para forçar as pessoas a enxergar como está o mundo à sua volta. A mídia tem esse poder de instigar o povo, isso está mais do que provado. Ao invés de termos programas de notícias que parecem ter saído direto do movimento da Lei e da Ordem - ou de algum filme de terror- procurando desesperar o cidadão comum e mal informado, deveríamos ser informados também sobre o nosso poder de mudança dentro da sociedade.
Quantos brasileiros assinaram o Ficha Limpa? Cerca de 1,6 milhão de pessoas? É pouco.
É ridículo se imaginarmos que só em São Paulo são mais de 10 milhões de habitantes. E é aí que a mídia deveria se mobilizar. Mostrar ao cidadão que ele pode, sim, contribuir de forma ativa para o futuro do país.
Claro que temos programas que estão tentando fazer sua parte. Se são pelos motivos certos, se fazem isso por audiência ou por cidadania, isso eu não posso julgar. E nem me interessa, contanto que façam sua parte. Se é necessário usar do humor para atingir mais gente, que usem! Que façam os políticos passarem por palhaços, assim como eles fazem o povo passar.
A parte triste é que esses programas são como as assinaturas do Ficha Limpa. São uma parte ínfima da mídia, que só quer saber de Circo. Lembra de Roma, do Pão e Circo? No Brasil também tem!
Chique, não?
Não que eu seja contra programas feitos só para entretenimento. Acho que são necessários, além de alguns serem realmente muito bons. Mas o que eu quero dizer é que é necessário um equilíbrio entre as duas coisas.
Não adianta ficarmos sentados olhando pro nosso circo do sofá da sala e reclamando da situação. Não adianta a mídia ser passiva e noticiar somente crimes hediondos e jogo de futebol. O que é preciso é fazer com que as pessoas enxerguem o presente do nosso país, porque, se continuar assim, o "futuro" do Brasil nunca vai chegar.
Voltei rápido, dessa vez. Quem sabe agora eu crio vergonha na cara e começo a escrever mais... Com as férias,fica mais fácil, eu acho.
Em todo caso, eu nem ia escrever agora. Na verdade, acabei de reclamar que estava sem idéia nenhuma. E foi aí que me eu percebi que estava com um assunto na minha cara o tempo todo e não tinha nem notado.
A mídia é algo que está na cara de todo mundo, na verdade. Onde quer que andemos, somos bombardeados por informações - úteis ou não - sobre as mais variadas coisas. Muitas vezes, talvez até a maioria, são coisas sem importância relevante para a sociedade. Assuntos destinados a fazer com que as pessoas fechem os olhos e vivam num mundinho pequeno, feito de ilusões. Um verdadeiro conto de fadas.
Como já diziam os Beatles:
"Living is easy with eyes closed. Misunderstanding all you see."
Com efeito, é muito fácil viver de olhos fechados, preferindo não entender a realidade da vida. E é aí que deveria surgir a mídia. Ela deveria ser justamente a ferramenta feita para forçar as pessoas a enxergar como está o mundo à sua volta. A mídia tem esse poder de instigar o povo, isso está mais do que provado. Ao invés de termos programas de notícias que parecem ter saído direto do movimento da Lei e da Ordem - ou de algum filme de terror- procurando desesperar o cidadão comum e mal informado, deveríamos ser informados também sobre o nosso poder de mudança dentro da sociedade.
Quantos brasileiros assinaram o Ficha Limpa? Cerca de 1,6 milhão de pessoas? É pouco.
É ridículo se imaginarmos que só em São Paulo são mais de 10 milhões de habitantes. E é aí que a mídia deveria se mobilizar. Mostrar ao cidadão que ele pode, sim, contribuir de forma ativa para o futuro do país.
Claro que temos programas que estão tentando fazer sua parte. Se são pelos motivos certos, se fazem isso por audiência ou por cidadania, isso eu não posso julgar. E nem me interessa, contanto que façam sua parte. Se é necessário usar do humor para atingir mais gente, que usem! Que façam os políticos passarem por palhaços, assim como eles fazem o povo passar.
A parte triste é que esses programas são como as assinaturas do Ficha Limpa. São uma parte ínfima da mídia, que só quer saber de Circo. Lembra de Roma, do Pão e Circo? No Brasil também tem!
Chique, não?
Não que eu seja contra programas feitos só para entretenimento. Acho que são necessários, além de alguns serem realmente muito bons. Mas o que eu quero dizer é que é necessário um equilíbrio entre as duas coisas.
Não adianta ficarmos sentados olhando pro nosso circo do sofá da sala e reclamando da situação. Não adianta a mídia ser passiva e noticiar somente crimes hediondos e jogo de futebol. O que é preciso é fazer com que as pessoas enxerguem o presente do nosso país, porque, se continuar assim, o "futuro" do Brasil nunca vai chegar.
sexta-feira, 11 de junho de 2010
Das Avessas.
Boa noite!
Faz alguns dias já que não posto aqui, e não é por esquecimento. Acontece que de vez em quando eu custo a arrumar tempo para escrever, e quando tenho tempo parecem que somem as idéias.
Hoje gostaria de expor uma situação que notei já tem um período e que realmente incomoda, se pararmos para pensar. Incomoda tanto que eu resolvi escrever aqui.
Não é de hoje que eu percebo uma certa inversão de valores na sociedade. Isso não é novidade para ninguém, nem para mim, mas sempre me surpreende. Sei que também não é de hoje que isso ocorre, já que como dizia Ruy Barbosa:
"De tanto ver triunfar as nulidades, de tanto ver prosperar a desonra, de tanto ver crescer a injustiça, de tanto ver agigantarem-se os poderes nas mãos dos maus, o homem chega a desanimar da virtude, a rir-se da honra, a ter vergonha de ser honesto."
Essa frase - muito atual - foi dita pelo jurista em 1914. É incrível, ao mesmo tempo que revoltante, como a humanidade parece não ter progredido nesse tempo todo que passou. Não quero parecer muito descrente. Realmente quero acreditar que isso é passageiro e que os princípios éticos vão prevalecer.
O problema é que à medida que o tempo passa, as pessoas dão menos valor àquelas coisas que são fundamentais na formação de cada um. É muito simples, basta notar a quantidade de jovens que literalmente não liga a mínima para a família. É só observar quanta gente não quer nem saber de princípios morais e éticos. E o pior: os que se preocupam com isso acabam por ter vergonha disso.
Acho que aí já deu para reparar no motivo do título ser "Das Avessas". Ao invés do cidadão ter vergonha de ser imoral, hipócrita e injusto, ele tem vergonha justamente de agir de acordo com os princípios da ética. Prefere ter a imagem do malandro, do sujeito que consegue tudo com o "jeitinho brasileiro". Aliás, outro absurdo é se orgulhar desse "jeitinho".
Não quero dizer que todos tem que virar santos. Isso é obviamente impossível.
O que quero mostrar é que essa inversão de valores que podemos notar na sociedade leva a um círculo vicioso em que as gerações mais novas acabam inevitavelmente sendo influenciadas pelas anteriores, que em sua maioria traz pessoas que se orgulham da malandragem.
Já passa da hora de ver que não adianta um discurso bonito em faculdades, palestras e, principalmente, em época eleitoral. O que estamos precisando é de exemplos que mostrem que a honestidade, o caráter e a ética valem a pena.
Precisamos de exemplos que provem ao povo brasileiro que a sujeira vista hoje contaminando nossa política e nossa realidade social vai ser desinfetada, fazendo jus ao nosso Hino da Proclamação da República:
"Seja um hino de glórias que fale da esperança de um novo porvir."
Faz alguns dias já que não posto aqui, e não é por esquecimento. Acontece que de vez em quando eu custo a arrumar tempo para escrever, e quando tenho tempo parecem que somem as idéias.
Hoje gostaria de expor uma situação que notei já tem um período e que realmente incomoda, se pararmos para pensar. Incomoda tanto que eu resolvi escrever aqui.
Não é de hoje que eu percebo uma certa inversão de valores na sociedade. Isso não é novidade para ninguém, nem para mim, mas sempre me surpreende. Sei que também não é de hoje que isso ocorre, já que como dizia Ruy Barbosa:
"De tanto ver triunfar as nulidades, de tanto ver prosperar a desonra, de tanto ver crescer a injustiça, de tanto ver agigantarem-se os poderes nas mãos dos maus, o homem chega a desanimar da virtude, a rir-se da honra, a ter vergonha de ser honesto."
Essa frase - muito atual - foi dita pelo jurista em 1914. É incrível, ao mesmo tempo que revoltante, como a humanidade parece não ter progredido nesse tempo todo que passou. Não quero parecer muito descrente. Realmente quero acreditar que isso é passageiro e que os princípios éticos vão prevalecer.
O problema é que à medida que o tempo passa, as pessoas dão menos valor àquelas coisas que são fundamentais na formação de cada um. É muito simples, basta notar a quantidade de jovens que literalmente não liga a mínima para a família. É só observar quanta gente não quer nem saber de princípios morais e éticos. E o pior: os que se preocupam com isso acabam por ter vergonha disso.
Acho que aí já deu para reparar no motivo do título ser "Das Avessas". Ao invés do cidadão ter vergonha de ser imoral, hipócrita e injusto, ele tem vergonha justamente de agir de acordo com os princípios da ética. Prefere ter a imagem do malandro, do sujeito que consegue tudo com o "jeitinho brasileiro". Aliás, outro absurdo é se orgulhar desse "jeitinho".
Não quero dizer que todos tem que virar santos. Isso é obviamente impossível.
O que quero mostrar é que essa inversão de valores que podemos notar na sociedade leva a um círculo vicioso em que as gerações mais novas acabam inevitavelmente sendo influenciadas pelas anteriores, que em sua maioria traz pessoas que se orgulham da malandragem.
Já passa da hora de ver que não adianta um discurso bonito em faculdades, palestras e, principalmente, em época eleitoral. O que estamos precisando é de exemplos que mostrem que a honestidade, o caráter e a ética valem a pena.
Precisamos de exemplos que provem ao povo brasileiro que a sujeira vista hoje contaminando nossa política e nossa realidade social vai ser desinfetada, fazendo jus ao nosso Hino da Proclamação da República:
"Seja um hino de glórias que fale da esperança de um novo porvir."
quinta-feira, 27 de maio de 2010
Do Caso.
Boa noite!
Estive esses dias pensando em um assunto para escrever aqui, já que faz tanto tempo que não atualizo meu blog, e então me veio na cabeça de escrever sobre um caso que foi bastante falado por algum tempo e que agora, como muitos outros, parece ter caído no esquecimento. Engraçado como não esquecem da Copa, do Carnaval e das campanhas eleitorais. Mas vamos lá.
Cesare Battisti é um ex-ativista italiano, acusado de quatro assassinatos em seu país entre os anos de 1977 e 1979, procurado desde que fugiu da prisão em Milão no ano de 1979. É fato que Battisti pertenceu ao Proletários Armados pelo Comunismo (PAC), sendo condenado pelos quatro homicídios hediondos em 1988.
Até aí, nada fora do comum. Nada aceitável também, mas mesmo assim não é algo que surpreenda, visto que pelo mundo todo existiram grupos políticos com atividades que se assemelhavam - e muito - à guerrilha. Mas acontece que o Sr. Battisti veio parar por aqui. Depois de fugir para a França, para o México e de volta para a França, Cesare Battisti veio atrás de um arzinho tropical em 2004. Foi preso no Rio de Janeiro em 2007 e está aqui até hoje.
É justamente aí que mora o problema. Em 2009, o então Ministro da Justiça Tarso Genro concedeu a Cesare Battisti o status de refugiado político, o que em tese impediria sua extradição. Por outro lado, a chamada "Lei do Refúgio" é classificada com lei ordinária, o que mantém a competência do Supremo Tribunal Federal para julgar casos de extradição, conforme previsto na Constituição.
No início deste ano, o STF julgou o caso e decidiu pela extradição de Battisti, o que foi, na minha opinião, uma decisão acertada já que o sujeito estava sendo julgado por homicídio e a Itália tem todo o direito de julgar o caso, já que a prática é crime em ambos os países e assim encaixa-se no princípio da extraterritorialidade. O porém é que o Supremo também decidiu, por maioria de votos, que a sua posição sobre o caso não vincularia o Presidente da República.
Muito sensata, e até política, a decisão do STF. Concordo que o Judiciário não deve exercer funções do Poder Executivo, mas o fato é que o assunto em questão é matéria de competência do Supremo Tribunal de Justiça, conforme Artigo 102, I, g), CF/88.
Dessa forma, nota-se que já passou da hora de Battisti voltar para casa. É necessário lembrar que além de o homem estar sendo processado por homicídio, e não um crime político, ele foi condenado de forma democrática na Itália. Não faz sentido oferecer asilo político a alguém que está sendo processado por assassinar quatro pessoas. Não faz sentido entupirmos ainda mais os presídios brasileiros - já em péssimas condições - sem que haja um motivo para isso.
Estive esses dias pensando em um assunto para escrever aqui, já que faz tanto tempo que não atualizo meu blog, e então me veio na cabeça de escrever sobre um caso que foi bastante falado por algum tempo e que agora, como muitos outros, parece ter caído no esquecimento. Engraçado como não esquecem da Copa, do Carnaval e das campanhas eleitorais. Mas vamos lá.
Cesare Battisti é um ex-ativista italiano, acusado de quatro assassinatos em seu país entre os anos de 1977 e 1979, procurado desde que fugiu da prisão em Milão no ano de 1979. É fato que Battisti pertenceu ao Proletários Armados pelo Comunismo (PAC), sendo condenado pelos quatro homicídios hediondos em 1988.
Até aí, nada fora do comum. Nada aceitável também, mas mesmo assim não é algo que surpreenda, visto que pelo mundo todo existiram grupos políticos com atividades que se assemelhavam - e muito - à guerrilha. Mas acontece que o Sr. Battisti veio parar por aqui. Depois de fugir para a França, para o México e de volta para a França, Cesare Battisti veio atrás de um arzinho tropical em 2004. Foi preso no Rio de Janeiro em 2007 e está aqui até hoje.
É justamente aí que mora o problema. Em 2009, o então Ministro da Justiça Tarso Genro concedeu a Cesare Battisti o status de refugiado político, o que em tese impediria sua extradição. Por outro lado, a chamada "Lei do Refúgio" é classificada com lei ordinária, o que mantém a competência do Supremo Tribunal Federal para julgar casos de extradição, conforme previsto na Constituição.
No início deste ano, o STF julgou o caso e decidiu pela extradição de Battisti, o que foi, na minha opinião, uma decisão acertada já que o sujeito estava sendo julgado por homicídio e a Itália tem todo o direito de julgar o caso, já que a prática é crime em ambos os países e assim encaixa-se no princípio da extraterritorialidade. O porém é que o Supremo também decidiu, por maioria de votos, que a sua posição sobre o caso não vincularia o Presidente da República.
Muito sensata, e até política, a decisão do STF. Concordo que o Judiciário não deve exercer funções do Poder Executivo, mas o fato é que o assunto em questão é matéria de competência do Supremo Tribunal de Justiça, conforme Artigo 102, I, g), CF/88.
Dessa forma, nota-se que já passou da hora de Battisti voltar para casa. É necessário lembrar que além de o homem estar sendo processado por homicídio, e não um crime político, ele foi condenado de forma democrática na Itália. Não faz sentido oferecer asilo político a alguém que está sendo processado por assassinar quatro pessoas. Não faz sentido entupirmos ainda mais os presídios brasileiros - já em péssimas condições - sem que haja um motivo para isso.
domingo, 7 de março de 2010
Da Escolha.
Boa noite!
Faz um tempo que não posto aqui. Um texto meu, eu digo, já que postei um sobre a FEB umas semanas atrás. Aliás, gostaria de aproveitar e agradecer a colaboração.
Em todo caso, isso não significa que eu tenha parado de escrever, só estava meio afastado do estilo!
Hoje gostaria de falar um pouco sobre as escolhas. Um tema muito simples, mas ao mesmo tempo muito profundo se pararmos para pensar no impacto que as escolhas podem ter na nossa vida e, por que não, no futuro do nosso país.
É claro que, falando assim, já dá para notar que falo das nossas escolhas com relação ao envolvimento do cidadão com a política e com o desenvolvimento da sociedade em que vive.
De fato, como já dizia Platão:
"O preço que o homem de bem paga por não se envolver em política é ser governado por mal intencionados."
A realidade é que a máxima do filósofo grego ainda se aplica na atualidade. Não é preciso ser nenhum gênio para perceber exemplos disso por todos os lados, muito pelo contrário. É só olhar para o quadro político nacional e perceber que são poucos os que tem coragem e caráter para resistir ao dinheiro fácil e não fazer parte da corrupção que assola nossa unidade política.
Nesse ponto que entra a possibilidade de escolha que o cidadão tem. Falando do cidadão comum, do trabalhador, do estudante, seja ele de qualquer classe social, mas longe da realidade dos manda-chuvas da política. É ele que tem o poder de escolher entre ficar calado ou se manifestar, entre cobrar respostas das ditas "pessoas públicas" ou abaixar a cabeça, entre mobilizar seus conhecidos ou agir como uma vaca de presépio.
Falemos dos estudantes. Onde estamos? Na primeira pessoa do plural mesmo. Onde NÓS estamos?
Sempre fomos símbolo das manifestações nos diversos momentos políticos do país, seja pintando o rosto e nos unindo nas ruas, seja escrevendo o que deve ser dito por meio de artigos ou canções cheias de metáforas.
É fácil reclamar dos nossos representantes, isso qualquer um faz. Mas só isso não adianta.
É necessário que formemos grupos fortes, seja com os Centros Acadêmicos das diversas faculdades, seja em bairros, movimentos regionais, não importa. O que vale é agir.
O que precisamos é escolher pela ação. Escolher lutar por um país do presente, com uma política limpa e com um futuro brilhante, já que o brasileiro mostrou na História que é capaz de lutar por seus princípios. É só lembrar de 9 de Julho de 1932.
Já é tempo de dar um basta na corrupção. Já passou do tempo de agir contra a impunidade dos chefões lá de cima.
Na escolha entre se corromper, se omitir ou lutar pelo Brasil, é preciso que o brasileiro aja com a coragem e o caráter dos Constitucionalistas, fazendo que sua luta abra um novo capítulo nas páginas da história do nosso país.
Faz um tempo que não posto aqui. Um texto meu, eu digo, já que postei um sobre a FEB umas semanas atrás. Aliás, gostaria de aproveitar e agradecer a colaboração.
Em todo caso, isso não significa que eu tenha parado de escrever, só estava meio afastado do estilo!
Hoje gostaria de falar um pouco sobre as escolhas. Um tema muito simples, mas ao mesmo tempo muito profundo se pararmos para pensar no impacto que as escolhas podem ter na nossa vida e, por que não, no futuro do nosso país.
É claro que, falando assim, já dá para notar que falo das nossas escolhas com relação ao envolvimento do cidadão com a política e com o desenvolvimento da sociedade em que vive.
De fato, como já dizia Platão:
"O preço que o homem de bem paga por não se envolver em política é ser governado por mal intencionados."
A realidade é que a máxima do filósofo grego ainda se aplica na atualidade. Não é preciso ser nenhum gênio para perceber exemplos disso por todos os lados, muito pelo contrário. É só olhar para o quadro político nacional e perceber que são poucos os que tem coragem e caráter para resistir ao dinheiro fácil e não fazer parte da corrupção que assola nossa unidade política.
Nesse ponto que entra a possibilidade de escolha que o cidadão tem. Falando do cidadão comum, do trabalhador, do estudante, seja ele de qualquer classe social, mas longe da realidade dos manda-chuvas da política. É ele que tem o poder de escolher entre ficar calado ou se manifestar, entre cobrar respostas das ditas "pessoas públicas" ou abaixar a cabeça, entre mobilizar seus conhecidos ou agir como uma vaca de presépio.
Falemos dos estudantes. Onde estamos? Na primeira pessoa do plural mesmo. Onde NÓS estamos?
Sempre fomos símbolo das manifestações nos diversos momentos políticos do país, seja pintando o rosto e nos unindo nas ruas, seja escrevendo o que deve ser dito por meio de artigos ou canções cheias de metáforas.
É fácil reclamar dos nossos representantes, isso qualquer um faz. Mas só isso não adianta.
É necessário que formemos grupos fortes, seja com os Centros Acadêmicos das diversas faculdades, seja em bairros, movimentos regionais, não importa. O que vale é agir.
O que precisamos é escolher pela ação. Escolher lutar por um país do presente, com uma política limpa e com um futuro brilhante, já que o brasileiro mostrou na História que é capaz de lutar por seus princípios. É só lembrar de 9 de Julho de 1932.
Já é tempo de dar um basta na corrupção. Já passou do tempo de agir contra a impunidade dos chefões lá de cima.
Na escolha entre se corromper, se omitir ou lutar pelo Brasil, é preciso que o brasileiro aja com a coragem e o caráter dos Constitucionalistas, fazendo que sua luta abra um novo capítulo nas páginas da história do nosso país.
terça-feira, 26 de janeiro de 2010
Da FEB e da ONU: Questão extra-oficial, por Marcus Carmo
Em Janeiro de 2010 o mundo passou a se interessar mais pelo Haiti, devido aos terremotos que assolaram o país desde o dia doze. Órgãos de imprensa acompanharam os trabalhos de resgate e assistência prestados naquele que é o mais pobre país da América. Alguns órgãos da mídia assumiram a função de urubus, inclusive. A missão passou a ser muito mais importante, fato que destacou a presença do Brasil, cujas tropas do Exército lideram a MINUSTAH (sigla em inglês que representa a Missão das Nações Unidas pela Estabilização do Haiti).
Cerca de 1300 militares brasileiros representam a ONU no Haiti. Os hospitais do Exército e da Força Aérea Brasileira tiveram importância vital no delicado trabalho de salvamento das vítimas dos terremotos. Suprimentos enviados do Brasil, naturalmente, contribuíram muito para o auxílio àquele povo faminto, bem como os R$375 milhões doados pelo governo Brasileiro, por decisão do presidente Luís Inácio da Silva.
A distribuição de gêneros chegou a ser articulada pela ONU para que ocorresse em uma operação harmônica, mista de tropas brasileiras e estadunidenses. Notícias corriam que as tropas norte-americanas abusavam do poder no Haiti, inclusive como controladores de vôo. Tal fato gerou uma indisposição entre as tropas dos EUA e do Brasil. Haitianos também reclamavam nas ruas o excesso de militares no país, muito embora a polícia haitiana tivesse sérias dificuldades em controlar a segurança pública.
Os haitianos, porém, não reclamaram do trabalho desenvolvido pelas tropas da ONU - inclusive brasileiros - quando estas lhes matam a fome, a sede e servem com seus profissionais de saúde, além de resgatar, organizar, proteger, policiar, construir e instruir. Eis a semelhança entre a FEB e as tropas do Exército em missão com a ONU.
A missão oficial do Exército Brasileiro, pela ONU, tem objetivo claro de serviço social. A FEB, por sua vez, tinha a missão oficial de combater o nazi-fascismo. Única e exclusivamente, a guerra: essa era a missão da FEB. Porém, a FEB assumiu, também, a missão extra-oficial de serviço social, no objetivo claro de auxiliar àqueles italianos que sofriam com uma crise tremenda, com falta de absolutamente tudo.
Onde havia cidade, os alemães destruíram. Senão os alemães, o combate aos alemães trouxe a destruição. No campo, o perigo terrível das minas plantadas pelos alemães na retirada, ou o risco de estar na "terra de ninguém", ou sofrer com bombardeios e tiroteios. Na cidade ou no campo, o italiano estava sujeito a perder sua casa, fosse pela fúria da guerra ou pela presença de quem faz a guerra, ocupando propriedades. Obviamente, a destruição e a miséria não eram totais. Havia ainda prédios, campos e pessoas que sobreviviam às tragédias - inclusive alguns lucrando com o mercado negro, a explorar a desgraça reinante.
Naturalmente, os brasileiros prestaram auxílio aos italianos. Naquela campanha, não poderia ser quebrada a harmonia com o exército dos EUA - mais especificamente as tropas do V exército, do General Mark Clark. Nesse interim, a FEB cumpriu seu dever. Os expedicionários brasileiros, por sua vez, elevaram a valorização da FEB junto aos italianos, pois, pela solidariedade praticada no Velho Mundo, a Força Expedicionária Brasileira serviu como embrião das Forças de Paz da ONU.
O primeiro Secretário-Geral da ONU foi o brasileiro Oswaldo Aranha, principal responsável pela aliança do Brasil com os Aliados durante a II Guerra, especialmente os EUA. Por questão protocolar, a Assembléia Geral da ONU sempre é aberta por um brasileiro. Apenas em 2001 foi quebrada a tradição, quando o presidente dos EUA, George W. Bush, abriu a Assembléia por respeito às vítimas dos atentados de 11 de setembro. Ao findar a II Grande Guerra, o Brasil estava alçado entre as nações ocidentais promotoras da "democracia". A condição de país industrializado era desenvolvida, enquanto a FEB e a FAB assinalavam a condição de tropa moderna, cujos veteranos poderiam servir de "professores" na formação militar do brasileiro. Comandantes aliados reconheceram a eficiência das tropas brasileiras, como fizeram, mais tarde, alemães que combateram a FEB.
A solidariedade do soldado da FEB, por sua vez, só foi reconhecida por prisioneiros alemães e italianos que outrora tiveram contato direto com os expedicionários, convivendo com eles. No Brasil, ironicamente, os louváveis exemplos de caridade prestados pelos pracinhas na Itália são muito pouco conhecidos, quando não banalizados.
Por essas e outras que a história da FEB merece resgate - com todo respeito ao Haiti e sem ironizar suas tragédias.
* Artigo escrito por Marcus Carmo
Cerca de 1300 militares brasileiros representam a ONU no Haiti. Os hospitais do Exército e da Força Aérea Brasileira tiveram importância vital no delicado trabalho de salvamento das vítimas dos terremotos. Suprimentos enviados do Brasil, naturalmente, contribuíram muito para o auxílio àquele povo faminto, bem como os R$375 milhões doados pelo governo Brasileiro, por decisão do presidente Luís Inácio da Silva.
A distribuição de gêneros chegou a ser articulada pela ONU para que ocorresse em uma operação harmônica, mista de tropas brasileiras e estadunidenses. Notícias corriam que as tropas norte-americanas abusavam do poder no Haiti, inclusive como controladores de vôo. Tal fato gerou uma indisposição entre as tropas dos EUA e do Brasil. Haitianos também reclamavam nas ruas o excesso de militares no país, muito embora a polícia haitiana tivesse sérias dificuldades em controlar a segurança pública.
Os haitianos, porém, não reclamaram do trabalho desenvolvido pelas tropas da ONU - inclusive brasileiros - quando estas lhes matam a fome, a sede e servem com seus profissionais de saúde, além de resgatar, organizar, proteger, policiar, construir e instruir. Eis a semelhança entre a FEB e as tropas do Exército em missão com a ONU.
A missão oficial do Exército Brasileiro, pela ONU, tem objetivo claro de serviço social. A FEB, por sua vez, tinha a missão oficial de combater o nazi-fascismo. Única e exclusivamente, a guerra: essa era a missão da FEB. Porém, a FEB assumiu, também, a missão extra-oficial de serviço social, no objetivo claro de auxiliar àqueles italianos que sofriam com uma crise tremenda, com falta de absolutamente tudo.
Onde havia cidade, os alemães destruíram. Senão os alemães, o combate aos alemães trouxe a destruição. No campo, o perigo terrível das minas plantadas pelos alemães na retirada, ou o risco de estar na "terra de ninguém", ou sofrer com bombardeios e tiroteios. Na cidade ou no campo, o italiano estava sujeito a perder sua casa, fosse pela fúria da guerra ou pela presença de quem faz a guerra, ocupando propriedades. Obviamente, a destruição e a miséria não eram totais. Havia ainda prédios, campos e pessoas que sobreviviam às tragédias - inclusive alguns lucrando com o mercado negro, a explorar a desgraça reinante.
Naturalmente, os brasileiros prestaram auxílio aos italianos. Naquela campanha, não poderia ser quebrada a harmonia com o exército dos EUA - mais especificamente as tropas do V exército, do General Mark Clark. Nesse interim, a FEB cumpriu seu dever. Os expedicionários brasileiros, por sua vez, elevaram a valorização da FEB junto aos italianos, pois, pela solidariedade praticada no Velho Mundo, a Força Expedicionária Brasileira serviu como embrião das Forças de Paz da ONU.
O primeiro Secretário-Geral da ONU foi o brasileiro Oswaldo Aranha, principal responsável pela aliança do Brasil com os Aliados durante a II Guerra, especialmente os EUA. Por questão protocolar, a Assembléia Geral da ONU sempre é aberta por um brasileiro. Apenas em 2001 foi quebrada a tradição, quando o presidente dos EUA, George W. Bush, abriu a Assembléia por respeito às vítimas dos atentados de 11 de setembro. Ao findar a II Grande Guerra, o Brasil estava alçado entre as nações ocidentais promotoras da "democracia". A condição de país industrializado era desenvolvida, enquanto a FEB e a FAB assinalavam a condição de tropa moderna, cujos veteranos poderiam servir de "professores" na formação militar do brasileiro. Comandantes aliados reconheceram a eficiência das tropas brasileiras, como fizeram, mais tarde, alemães que combateram a FEB.
A solidariedade do soldado da FEB, por sua vez, só foi reconhecida por prisioneiros alemães e italianos que outrora tiveram contato direto com os expedicionários, convivendo com eles. No Brasil, ironicamente, os louváveis exemplos de caridade prestados pelos pracinhas na Itália são muito pouco conhecidos, quando não banalizados.
Por essas e outras que a história da FEB merece resgate - com todo respeito ao Haiti e sem ironizar suas tragédias.
* Artigo escrito por Marcus Carmo
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