quarta-feira, 21 de julho de 2010

Da Fé.

Boa noite!

Tenho pensado já há algum tempo sobre um assunto para escrever aqui, e foi então que lembrei de uma discussão que tive uma vez sobre a importância da fé. Gostaria de deixar claro em primeiro lugar que meu texto não se trata de uma crítica a qualquer religião, muito menos de marketing religioso. Pelo contrário, falo da fé em geral, daquela fé genuína e do seu impacto na sociedade.

Dizer que as crenças não tem uma influência no modo de agir das pessoas é, antes de tudo, um desrespeito à própria História. É só olhar para trás e ver quantos absurdos foram cometidos em nome de Deus, seja ele de qualquer religião. Pensando nisso, logo as pessoas se lembram da "Santa" Inquisição.

É importante ter em mente, entretanto, que não foi só a Igreja que cometeu absurdos. Há milhares de anos, antes do surgimento do Cristianismo, já existiam os sacrifícios em nome da fé. Já existiam as perseguições religiosas, as guerras santas e toda essa luta sacra.

Tendo isso em vista, é fácil perceber o quanto a conduta humana é guiada - e muitas vezes manipulada - pelas idéias religiosas. Ora, é só notar a influência da religião nas nossas leis, principalmente no que tange o Direito de Família. Indo mais longe, pode-se perceber a influência das crenças até mesmo nas decisões judiciais. Ou será que um juiz muçulmado pensaria da mesma maneira que um juiz judeu? A dificuldade está em dizer até onde nosso Estado é realmente laico. Até onde a liberdade de expressão religiosa realmente liberta a sociedade das idéias de uma religião dominante.

Não que essa influência seja completamente ruim. Sinceramente penso que existe um lado muito positivo nisso tudo, que é o lado da fé verdadeira. Da fé que leva as pessoas a agir de acordo com os valores morais, com a ética. Aquela fé que faz com que os membros de uma sociedade deixem um pouco da sua individualidade de lado para dar lugar ao bem comum e à solidariedade.

Enquanto a fé estiver mantendo os indivíduos afastados de condutas individualistas, desonestas e antiéticas, ela tem sentido. Longe disso, é pura hipocrisia.

Soa radical? Uma pena.

7 comentários:

Gabby disse...

Radical, mas honesto.

De qualquer forma, se com a fé, a crença religiosa e o medo dos castigos divinos o mundo já está uma bagunça, não quero nem imaginar se os homens não tivessem nada a temer como seria.
A verdade é que a fé em si é o impede que o mundo seja completamente dominado pela ganância humana. Essa fé que destrói nada mais é do que a fé radical: seres humanos empurrando suas crenças guela abaixo dos demais.

Pra tudo deve haver um equilíbrio, sem radicalizar. Se o ser humano soubesse o que é respeito, religiões não seriam necessárias.

Ótimo post, btw. :*

Marcus disse...

Quando falo do mito do "Sebastianismo" em aula, é normal ridicularizarem. Quando comento de uma ex-aluna que "idolatrava" uma estátua do mago Merlin, o pessoal faz graça, também. Mas ninguém faz graça da normalidade de ter uma igreja na praça central de todas as cidades, simbolizando a idolatria.
Longe de mim criticar, também! Pelo amor de Deus! ;)
Mas é fato que, meta ou mito, todos têm que ter algum (a) para ter um porquê.
A fé é a manifestação mais apurada do instinto humano de buscar conforto. Creio que todo mundo é regido por isso, mesmo os suicidas; todos procuramos "nosso canto" (seja ele no sentido de "lugar" ou no sentido de "expressão da alma ao mundo como qm diz: 'oi... tô aqui! E sou digno!'").

Simone disse...

Não posso e nem consigo discordar de tudo que tá escrito aqui.
Enquanto a fé espiritual for manipulada pela religião, vai haver essa hipocrisia.

Sarah disse...

Fé, para mim, sem julgar, nada mais é do que o "se apegar a algo para continuar" querendo ou não quando estamos em uma grande alegria, ou grande tristeza, pensamos em algo maior, e este maior [volto a deixar claro que isso se trata apenas do que eu penso] é quando deixamos de pensar apenas em nós, mas sim de modo a que cada escolha nossa modifica tudo ao nosso redor, na nossa vida, e na dos outros.. Deus, Alah, Zeus, Vishnu, seja o nome que der, para mim a fé sobre ele, com conciência, é sempre necessária. O problema é quando fecham os olhos e falam amem e nem ao menos "estudam" o porque... Com equilibrio tudo da certo, o problema é que ainda estamos longe de um equilíbrio coletivo....

Angélica Albuquerque disse...

Eu não tinha achado radical, nem um pouco alias...
até a ultima frase!!!
haha

enfim, religião é um assunto extremo, porque apesar de ser comunista (no sentido de comum entre um grupo) é muito intimista!!
Eu não acredito no laicismo do estado (no caso falo e somente sobre o Brasil). religião e política são amantes e essa relação Fascista (no sentido de simbolizar o poder do Estado e a unidade do povo)é muito mais profunda, conviniente e fétida!

Angélica Albuquerque disse...

enfim, agora volto para falar de fé...
da genuina!!!
eu simplesmente acho que ela já não tem espaço na nossa sociedade (a não ser que falemos de grupos muito marginalizados no país, os quais toda a influência não seja tamanha!!!)

Anônimo disse...
Este comentário foi removido pelo autor.