Antes de tudo, a título de esclarecimento, este texto foi escrito em 7 de Setembro de 2012, sendo apenas publicado em 8 de Setembro.
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Boa noite!
Hoje, 7 de Setembro de 2012, nosso país deveria ter motivos para comemorar. Há exatamente 190 anos, nossa gente virava Gente. A despeito de como se deu o processo, éramos finalmente reconhecidos como uma nação independente, passando de Reino Unido de Portugal, Brasil e Algarves ao então chamado Império do Brasil.
Esse "aniversário" da Independência de nossa terra deveria, sem dúvida, ser motivo de comemorações. Um país deve, sempre que tiver a oportunidade, lembrar sua história e valorizá-la.
Para por aqui minha homenagem à dita emancipação de nossa nação.
A questão, 190 anos depois do célebre brado às margens do Ipiranga, é saber se hoje somos de fato independentes.
Infelizmente, sinto que a resposta é não, por mais triste, desolador e pessimista que isso possa parecer.
Ainda que tenhamos conquistado nossa emancipação em termos de Estado, pode nosso povo se dizer independente?
Um povo que vive dominado por uma política suja, por instituições corrompidas pela falta de caráter e comprometimento de seus representantes pode se dizer livre?
Um povo que, em pleno século XXI, ainda precisa se submeter ao voto de cabresto e ao coronelismo pode arrogar liberdade?
Que tipo de liberdade é essa, onde o cidadão de bem, além das dificuldades que passa, ainda tem que pedir permissão à criminalidade para trabalhar?
Uma liberdade-mercadoria, onde ainda hoje as pessoas precisam pagar ao crime para se proteger dos próprios criminosos e, assim, comprar o direito de serem "independentes", pode ser chamada de liberdade?
Evidente que não. É evidente que nossa independência, como cidadãos, está profundamente comprometida tanto pela criminalidade quanto pela situação política de nosso país.
Por outro lado, qual é a luta que existe pela liberdade real? Dizer que a mídia manipula, que tal revista é tendenciosa, que tal jornal não presta é fácil. Mas acontece que a realidade está estampada na cara de todos, e ficar em uma metalinguagem criticando as notícias ou os meios de comunicação não resolve nada.
Cria-se, aqui, um paradoxo:
O brasileiro sofre por não ser efetivamente independente, mas é justamente quem mantém sua dependência.
E como ocorre isso?
Pelo conformismo. Pela preguiça de agir e mudar as coisas. Pela mania ridícula e vergonhosa de dar "jeitinho" para os problemas. A famosa "gambiarra", que tomou proporções catastróficas, onde quem tenta fazer as coisas do jeito certo é o imbecil honesto e o desonesto é o esperto. O brasileiro reclama da política corrupta, mas boa parte dos que reclamam adorariam fazer parte do esquema e ganhar um dinheiro fácil.
E, por falar nisso, é época de eleições. Quantos reclamões, agora, não acabam votando JUSTAMENTE nos bandidos? É impressionante como existem políticos que estão sempre na mídia por algum escândalo e o povo CONTINUA votando. E reclamando. E votando de novo. E reclamando. E assim por diante!
É assim que o cidadão brasileiro consegue ser, ao mesmo tempo, vítima e algoz. É um povo que não se levanta, não luta e não faz valer o verdadeiro sentido da palavra LIBERDADE.
É um povo que, apesar de "independente", ainda se faz escravo da própria preguiça e conformismo.
Parabéns, meu Brasil, pelos 190 anos de Independência. Lutemos, agora, pela independência de nossa gente.
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3 comentários:
Acredito que ainda não se conseguiu desenvolver o ideal defendido por José Bonifácio e Dom Pedro I: a IDENTIDADE NACIONAL.
Só mesmo quando este povo tiver maturidade (e, para tanto, muitas cicatrizes e calos perenes) é que haverá de valorizar E PARTICIPAR de sua terra.
Só mesmo o tempo e as dificuldades impostas por condições de necessidade de luta estimularão a prática da identidade nacional e do exercício cidadão junto à Coisa Pública. Convencer não basta. Muita gente tem noção dos deveres básicos de cidadania. É necessário PERSUADIR o povo sobre o sabor que se pode sorver no exercício (DIÁRIO) do CIVISMO.
Pena que "civismo" é uma palavra extinta aqui na terra de Sua Majestade pela Graça de Deus Imperador Constitucional e Defensor Perpétuo do Brasil.
... Quem dera este povo assumisse uma parte, ao menos, do título assumido por "meu amigo" Pedro de Alcântara Francisco Antônio João Carlos Xavier de Paula Miguel Rafael Joaquim José Gonzaga PAscoal Cipriano Serafim de Bragança e Bourbon...
E VIVA O SETE DE SETEMBRO!
Não discordo com nenhuma palavra! E infelizmente a grande maioria dos Brasileiros são tendenciosos...à reclamação e conformismo.
Parabéns pela "volta" do blog,Dani!
Somos dependentes. E muito de nós, não pensantes... e por que? é mais fácil uma ideia pronta e mastigadinha. O conformismo é triste, mas tenho fé na mudança. Viva a caixa de Pandora!
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